domingo, 9 de março de 2014

Resumo de "O Homem Cordial"

Confira um pequeno resumo sobre "O Homem Cordial", obra de Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil) que mostra, em imagens, a oposição entre a família e o Estado, fala sobre princípios de Sófocles. Antígona contra as ordenações do Estado. 
Assista ao vídeo e entenda, de maneira simples e eficaz, sobre a obra "O HOMEM CORDIAL".


Por: Jennifer Nunes

sábado, 8 de março de 2014

 Valongo - Luiz Alexandre S.C Santos



Enterrado nas páginas da história, esquecido nas memórias do nosso país, estava um cais.
Com o renascimento e crescimento da nossa cidade, o progresso esbarrou nesse pedaço triste da nossa história, porém rico de cultura e de importância social sobre a cultura negra e sua chegada no Brasil.

     Imagem mostrando antiga geografia e contorno litoral da cidade. 

 O Cais


Esse cais foi porta de entrada para a escravidão no Brasil, passou cerca de 1 milhão de africanos, passou 168 anos soterrado, redescoberto durante obras da revitalização da Região do Porto do Rio de Janeiro.

    Ilustração do Valongo em Rugendas.

A região do Valongo era desabitada na época e o acesso era difícil, com isso, o aumento do tráfego ficava mais escondido do resto da cidade. Sua Construção dada de 1811, com o objetivo de retirar do terreiro do paço, atual praça XV, o desembarque e o comércio de africanos escravizados logo após a vinda do Príncipe regente Dom João VI e da corte portuguesa ao Brasil. Além de abrigar um cemitério de negros que chegavam mortos, ou muito doentes da viagem, nas imediações chamado de Cemitério dos pretos novos.
A área deixa de funcionar como ponto de entrada de escravos por volta de 1831, quando leis contra a escravidão começam a ser assinadas. Nessa época, o tráfico passa a ser clandestino e acontece no período noturno.

Em 1843, foi feito um aterro de 60 centímetros de espessura precisamente sobre o Cais do Valongo, para a construção de um novo ancoradouro para receber a imperatriz Teresa Cristina, que se casaria com dom Pedro II, que receberia o Nome de Cais da Imperatriz, e toda a história seria ocultada, sendo novamente aterrado na administração do então prefeito Pereira Passos na reforma urbanística no início do século XX.




O ancoradouro traz com ele memórias da escravidão no país e várias culturas que ali perdiam sua liberdade e raízes. Atualmente faz parte do Circuito Histórico e Arqueológico da Herança Africana. Inaugurado em novembro de 2011 pela Prefeitura do Rio, o roteiro inclui, além do cais, o Largo do Depósito, o Jardim Suspenso do Valongo, a Pedra do Sal, o Cemitério dos Pretos Novos e o Centro Cultural José Bonifácio.

    Ossos, Búzios, pulseiras, cachimbos, pedras e amuletos descobertos durante a escavação  arqueológica, resgatando memórias e objetos pessoais dos negros.

    Cais do Valongo recuperado no centro do Rio de Janeiro


O Cais do Valongo foi lembrado há muitos anos atrás pela academia do Samba, Acadêmicos do Salgueiro, que com sua equipe de artistas de belas artes e historiadores resgatavam partes ocultas e esquecidas da cultura negra e os heróis não oficiais que ajudaram a construir esse país.

E o samba dizia... lá em 1976, composto por Djalma Sabiá.

Lá no seio d'África vivia
Em plena selva o fim de sua monarquia.
Terminou o guerreiro
No navio negreiro,
Lugar do seu lazer feliz.
Veio cativo povoar nosso país,
Seguiu do cais do Valongo,
No Rio de Janeiro,
Com suas tribos chegando.
Foi o chão cultivando
Sob o céu brasileiro.
Nações Haussá, Gegê e Nagô,
Negra Mina e Ângela,
Gente escrava de Sinhô.
Foram muitas suas lutas
Para integração,
Inda hoje
Desenvolveu
Desenvolvendo esta Nação,
Sua cultura, suas músicas e danças
Reúnem aqui suas lembranças.
O negro assim alcançou
A sua libertação
E seus costumes, abraçou
Nossa civilização.
Ô-ô-ô-ô, quando o tumbeiro chegou,
Ô-ô-ô-ô, o negro se libertou.




Vídeo produzido pelo IPHAN – Arqueóloga explicando a história de cada peça 
desenterrada no local.

curiosidades dos índios no Brasil no período colonial..- Dulce Leite



Sons e Danças dos Negros no Brasil.- Dulce Leite

Sons e Danças dos Negros no Brasil: motivos à tradição oral, aos cantos de trabalho, à religiosidade, à interação e à resistência cultural africana.

Além da dor e da violência, o período escravista brasileiro produziu resistências culturais incomensuráveis, poucas vezes legitimadas nos contextos históricos sociais. Durante os quatro séculos desta prática bizarra no Brasil, a vida precisou seguir seu caminho com a fluidez das marés que sobem, descem e marcam os lugares onde passam.

Nos primeiros séculos da colonização portuguesa o Brasil era um país basicamente rural; só em fins do século XVI se anunciava alguns rudimentos de vida urbana nas cidades do Rio de Janeiro, Recife e Salvador. No caminhar das cidades às fazendas e vice-versa iniciavam-se os primórdios da vida cultural e da vocação artística brasileira. Nosso intuito é abordar alguns aspectos da trajetória sonoro-corporal dos africanos escravizados e seus descendentes mestiços do Brasil, do período colonial ao imperial, posto que foram as bases da cultura afro brasileira.

O contingente populacional global da colônia e do império brasileiro sempre foi composto de uma maioria de negros africanos escravizados e seus descendentes crioulos em relação aos brancos europeus. Apesar dos rigores do regime de exploração do trabalho escravo, era impossível condenar ao silêncio tais componentes étnicos acostumados visceralmente a cantar, tocar e dançar para embalar as diversas atividades da vida.

lundu
Há relatos de padres jesuítas e viajantes afirmando que a certa altura do século XVI ouvia-se manifestações religiosas e seculares de brancos europeus, indígenas brasileiros e negros africanos se misturando formando um caldeirão cultural sem precedentes. A ostentação era de tal monta que em 1610 o francês François Pyrard de Laval afirmava ter conhecido um poderoso senhor de engenho no Recife, que possuía uma banda com 20 a 30 músicos negros escravizados, regida por um maestro-professor francês, a qual tocava em tempo integral. Conta a história ainda, que um exímio violonista negro escravizado foi tão aclamado por seu virtuosismo, que seu senhor o exibia como um tesouro de causar inveja. Depois de receber ofertas irrecusáveis, o rico fazendeiro cedeu aos seus caprichos tendo barganhado uma imensa fortuna em terras de outro senhor muito rico, em troca do violonista em questão.

 Era comum a chegada, especialmente nos grandes centros brasileiros de artistas e pintores famosos. Eles retrataram em vários momentos a presença dos tambores e das danças em roda com solistas dançarinos ao meio. Espantava-lhes a energia dos negros escravizados que após uma semana de estafante trabalho servil, cantavam e dançavam vigorosa e alegremente nos domingos de folga, dia escolhido pelo colonizador católico fervoroso para "ver Deus". Além dos domingos havia outros dias santos para festas e celebrações nos quais os africanos exercitavam seus sons ritmos e danças, com os ditos "batuques", onde provavelmente eram ligados ao prazer, mas, também à religiosidade, à interação social e às ações de resistência.

Por outro lado, Gomes apresenta as idéias defendidas na reunião da Comissão permanente dos fazendeiros da região fluminense do estado do Rio de Janeiro em 1854:
{xtypo_quote}"Deve-se permitir e mesmo promover divertimentos entre os escravos; privar dos passatempos o homem que trabalha de manhã até a noite, sem nenhuma esperança, é barbaridade e falta de cálculo. Os africanos, em geral são apaixonadíssimos de certos divertimentos: impedi-los é reduzi-los ao desespero, o mais perigoso dos conselheiros: Quem se diverte não conspira." {/xtypo_quote}
Por trás destes divertimentos eram gestadas as comunidades de senzalas e as culturas próprias. Jongos, calundus e outros batuques, na visão dos fazendeiros eram verdadeiras válvulas de escape ou atenuantes à situação do cativo. Entretanto, nas bocas, mentes e corpos dos africanos e mestiços escravizados, os jongos podiam disseminar idéias e mensagens místicas ou políticas. Já os batuques podiam estimular os corpos dançantes que moviam o axé do grupo.
batucada
Batucada
Todas as ações do colonizador dependiam deste grupo ruidoso: se venciam uma guerra era fatal uma festa ao som de batuques e calundus com música e dança. Se houvesse um acontecimento cívico qualquer, era certo mais uma kizomba daquelas. Aliás, o nome calundu (palavra do kimbundo que significa "a divindade responsável pelo destino de cada pessoa") por redução, acabaria sendo passado aos sons dos batuques tornando-se conhecido como Lundu (primeira expressão cultural de música e dança identificada com afro brasileira). O lundu era uma dança de roda sensual, que tempos depois, também com influência do jongo africano, acabou conferindo ao seu ritmo o nome de samba já que os elementos da umbigada como as síncopes e o canto responsorial africano vieram neste prevalecer (século XIX).

Poetas mestiços como Caldas Barbosa disseminaram a música dos lundus pelos salões europeus causando ora assombro pudico, ora divertimento. Havia no senso comum uma diferenciação afirmando que calundu tinha caráter religioso e lundu se caracterizaria pelo lado profano. Desta forma, o lundu era perseguido e proibido, porque a dança e a música eram julgadas como "lasciva demais"; e o calundu por ser "prática religiosa diabólica". Na verdade, a preocupação das autoridades era porque estas práticas tinham caído nas graças da população branca e mestiça, que já as incorporava como hábitos sociais, quebrando padrões morais.
Modinhas_escravos
A fora as perseguições sofridas pela cultura africana e afro-brasileira no período colonial e imperial, os batuques africanos trouxeram a irreverente dança de umbigada que derivou também a dança da fofa que não se expandiu no Brasil, mas, reapareceu em Portugal com grande aceitação e ainda vive em Cabo Verde. Note-se que a fofa imitava as relações sexuais dos dançarinos. Seguindo-se a fofa nasce o lundu. Não parecem muito claras as informações por volta da segunda metade do século XVIII sobre as semelhanças e diferenças entre o fado, que tendo nascido em terras brasileiras foi se desenvolver em terras lusitanas, e o lundu brasileiro que fez sucesso em Portugal. Tinhorão (1988) cita que há autores afirmando que o fado seria o segundo nome do lundu.

No século XIX a pompa da corte portuguesa com a modernização e o desenvolvimento da vida urbana aumentou o caldeamento cultural do Brasil. Aos batuques, jongos, umbigadas, lundus e fados disseminados pelo Brasil império, vieram se juntar as polcas, habaneras cubanas, tangos espanhóis, além de novos instrumentos musicais. Sem uma definição muito marcada produziu-se aqui samba de coco (com a dança do miudinho), o baião no nordeste, o caxambu em Minas Gerais, o corta jaca, o samba de roda, tangos e habaneras com as danças do maxixe no centro do Rio de Janeiro. A capoeira e o maculelê apesar de estarem presentes neste contexto sonoro-corporal não eram vistos como danças ou músicas, mas, como lutas e contravenções dos negros e mestiços.  
capoeira
Capoeira
Os africanos escravizados não cantavam somente nas horas de folga, mas, também nos momentos de trabalho gerando os cantos de trabalho. Desta forma as metrópoles brasileiras tinham um grande número de cantores, percussionistas e dançarinos exibindo-se cotidianamente. Alguns escravos forros e outros livres formavam pequenas bandas musicais na cidade do Rio de Janeiro, e logo, esta se tornaria mais uma fonte de renda: tocar em festas e eventos cívicos ou religiosos. A atividade musical dos negros escravizados foi tão importante e intensa, que nos anúncios de vendas de escravos dos jornais da época, constavam entre seus atributos positivos ser este um músico habilidoso e exímio instrumentista.

Ao sabor das síncopes percutidas, do canto responsorial, do ponto amarrado no jongo mistificando significados, dos improvisos sonoro-corporais, das gingas desenhando corpos e movimentos, dos olhares subentendidos, da sensibilidade e criatividade musical, fez-se ecoar a resistência cultural africana temperando diretamente a criação da cultura brasileira. Certamente estava escrito no Ifá!
REFERÊNCIAS
GOMES, Flávio dos Santos. Histórias de quilombolas, mocambos e comunidades de senzala no Rio de Janeiro - séc.XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 2006
LOPES, Nei. Dicionário escolar afro-brasileiro. São Paulo: Selo Negro Edições, 2006.
___________ O negro no Rio de Janeiro e sua tradição musical: partido alto, calango chula e outras cantorias. Rio de Janeiro: Pallas, 1992.
SODRÉ, Muniz. Samba o dono do corpo. 2ª ed.- Rio de Janeiro: Mauad, 1998.
TINHORÃO, José Ramos. Música popular brasileira de Índios, Negros e Mestiços. Petrópolis: Vozes, 1975.

O cotidiano nas cidades coloniais- Dulce Leite

A vida Nas cidades Coloniais brasileiras Eram bem diferente do que Estamos atualmente Habituados.



As cidades coloniais tinham condições de vida bastante precárias.

 Se realizássemos hoje uma pesquisa sobre qual é a melhor região para se viver, teríamos uma grande parcela da população brasileira preferindo a cidade ao campo. Afinal de contas, nossa recente história de industrialização transformou os centros urbanos em locais ligados à ideia de desenvolvimento, conforto e agitação nos âmbitos político e cultural. Por outro lado, as poucas oportunidades e falta de outros atrativos seriam colocados por muitos, principalmente os jovens, como elementos que alocariam a vida campestre em condição inferior.
No entanto, se recuássemos aos primórdios de nossa história colonial, poderíamos ver uma situação bastante distinta dessa. Tendo uma economia fundada na agroexportação, o Brasil dessa época contava com poucas cidades. Além de escassas, tais cidades não tinham uma integração eficiente, o que impedia com que um grande número de pessoas e mercadorias circulasse de forma eficaz.
As casas construídas nesses espaços eram bastante frágeis e, no máximo, cumpriam bem o papel de proteger a população dos fenômenos climáticos violentos ou dar uma posição privilegiada caso algum ataque (seja de invasores estrangeiros ou de população nativa) acontecesse. Contudo, as ameaças externas poderiam ser consideradas menores quando tais vilas eram espaço propício para o desenvolvimento de epidemias terríveis como a febre amarela, varíola, tuberculose e sarampo.
A disseminação dessas doenças, não raro, era potencializada por condições de higiene bastante precárias. Os excrementos eram lançados das janelas das casas e, para que a urina e as fezes não atingissem algum morador despercebido, um grito de “água vai!” antecedia o ato de “descarga”. Em locais maiores, tais excrementos eram recolhidos por escravos responsáveis por encaminhá-los até algum rio ou praia em que tudo fosse finalmente eliminado.
Em diversos momentos, cientes de tantas dificuldades, o governo colonial buscava adotar medidas que superassem tantas mazelas. Uma das maiores dificuldades da época envolvia o abastecimento da cidade, tendo em vista que a economia voltada para a exportação e a proibição da constituição de manufaturas fazia com que a falta de alimentos, vestuários e ferramentas fosse uma rotina muito comum.
Observando todas essas dificuldades, podemos ver que a vida nas cidades era bem diferente do que estamos atualmente habituados. No século XVIII, podemos observar que essa situação se transformou em alguns centros urbanos com o desenvolvimento da economia mineradora, responsável por uma melhor articulação do mercado interno. Ainda assim, hoje, observamos que sérios problemas tornam a vida nas cidades em um eterno horizonte de mazelas a serem superadas.

 http://www.brasilescola.com/historiab/o-cotidiano-nas-cidades-coloniais.htm.

quarta-feira, 5 de março de 2014

A Cultura Africana - Mayara Cardoso

A África é um continente de grande diversidade cultural que se vê fortemente ligada à cultura brasileira. Os africanos prezam muito a moral e acreditam até que esta é bem semelhante à religião. Apesar do primeiro contato africano com os brasileiros não ter sido satisfatório, esses transmitiram vários costumes como: Capoeira (que será apresentado nesse mesmo trabalho), Candomblé, Culinária, etc.  



domingo, 2 de março de 2014

Músicas do Brasil Colonial - Mathaus Santana

As músicas do Brasil colonial eram calmas, instrumentalizada e doce. Voltada somente para a realeza e para alta sociedade, as canções eram muito seletas. Muitas delas eram feitas para a Igreja Católica, e adoração aos santos. Segue abaixo um link no youtube, que demonstra uma canção do século XVIII feita para a religiosidade. O outro link, é um álbum online completo de música da era colonial portuguesa. 


http://www.youtube.com/watch?v=533W4w-Kvbg

http://www.radio.uol.com.br/album/brasilessentia-grupo-vocal-e-orquestra/musica-do-brasil-colonial---andre-da-silva-gomes/17477?cmpid=clink-rad-al